Jeane Alves

Jeane Alves
Vitória de G 1 com Equitana

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Uma matéria “paga” com péssimo conteúdo

O presidente do JCSP conseguiu apresentar um texto completamente equivocado, onde não consegue formular um só quesito que suporte a sua própria saída em defesa da sua “classe” de presidentes. De Luis Eduardo da Costa Carvalho, as pessoas podiam esperar qualquer coisa, pois não conhece realmente nada do ofício, agora essas explicações oferecidas e assinadas por Eduardo da Rocha Azevedo, vindas de um criador e proprietário de cavalos de corrida, não são admissíveis sob nenhum ponto de vista.

Primeiro as associações envolvidas nos assuntos do JCB, não concederiam a ele qualquer direito de resposta, tão pouco o seu texto estampado no site do clube é apropriado, como descabido seria o “presidente” Luis Eduardo postar Editoriais no site paulista sobre assuntos de uma sociedade que não lhe diz qualquer respeito.

“Os Jockeys Clubs vivem hoje, ainda com algumas pessoas que freqüentam um passado muito glorioso, quando os JCs tinham muitos recursos, recursos suficientes para dar benesses aos funcionários e profissionais.”

Penso que Eduardo tentou nesse parágrafo criar uma doutrina ao caos, uma espécie de tributo a incompetência. Eu leio esse parágrafo de outra forma.

Tradução correta: Eduardo quis na verdade dizer que quando os JCs eram bem administrados, eles podiam repartir os louros disso com aqueles que ajudaram a proporcionar o espetáculo. Como agora são muito mal administrados, não podem proporcionar mais nada.

Por outro lado, desse parágrafo extraio uma anotação bastante infeliz de Eduardo, ao falar em “benesses”. O que Eduardo talvez não saiba, e deveria ter tentado aprender quando aceitou assinar essa “matéria”, é que não existiu qualquer tipo de “benesse” quando o JCB trocou o direito de imagem dos jóqueis pelo Plano de Saúde coletivo; quando estes só aceitaram a troca se o mesmo fosse estendido aos treinadores.

“A grande verdade, porém é que hoje, ou os JCs passam a ser administrados da forma como o Presidente Luis Eduardo da Costa Carvalho vem fazendo de uma forma profissional, e que, aliás, é a nossa proposta aqui em SP, ou os JCs não têm futuro. Esse modelo de administração que nós temos está falido há 20 anos. Pelo menos.”

Será que a forma “profissional” a qual se refere Eduardo, está ligada aos Perdões da Dívida; à falta de Concorrência para alienação de ativos; à Canibalização do MGA, à aceitação de Notas Fiscais sem origem; à destruição das pistas de treinamento; a demolição das Vilas Hípicas; à enxurrada de processos trabalhistas?

Será que administrar bem para Eduardo é utilizar milhões de reais do caixa do clube para pagamento de honorários advocatícios? Ou será que para Eduardo o futuro do clube está também nas máquinas caça-níqueis?

Qual modelo de administração falido há 20 anos se refere Eduardo: Ao modelo de José Carlos Fragoso Pires? Será que ele conhece mesmo alguma coisa do modelo adotado até o ano 2.000 no Rio de Janeiro para poder julgá-lo como ultrapassado?

“As propostas que estão sendo feitas pelo Luis Eduardo, na minha opinião, são corretas. O que me deixa mais preocupado é que esse movimento passou a ser um movimento político. E não se pode misturar a área profissional com a política senão não vamos chegar a lugar algum.”

Baseado em quais conceitos Eduardo consegue enxergar “movimento político” numa ação legítima de uma Associação de profissionais em busca de seus direitos? De que matéria fática extrai tal afirmação há 400 quilômetros de distância sem ter testemunhado qualquer negociação dos profissionais com o JCB?

Em qual enciclopédia resta escrito que a área profissional de qualquer atividade não pode ser suficientemente politizada para definir suas estratégias? Será que Eduardo está tentando criticar a oposição com isso? Será que ele conseguiu esquecer que durante anos foi oposição no JCSP?

“Os problemas daqui em termos de administração são maiores do que os do Rio pelo fato de que já há algum tempo o clube vem sendo administrado de forma profissional o que não acontecia aqui em São Paulo. Afinal estamos somente há quatro meses. Tudo que for benesse vai ter que ser retirada. A atividade tem que funcionar pelos seus próprios meios e não com subsídios dos JCs que não aguentam mais dá-los.”

Pelo que entendi Eduardo estaria atribuindo a Luis Eduardo, o fato de o JCB ter um MGA maior do que o de São Paulo. Eduardo deveria conhecer melhor o MGA da era LECCA, assim saberia que foi o pior dos últimos 20 anos. O tal “profissionalismo” que se refere Eduardo, apenas se materializa na contratação de pessoas inexperientes com salários exorbitantes.

“Com relação às cocheiras, o sistema aqui também é de comodato. Mas não igual ao do JCB. E estamos mexendo no mesmo, pois existem muitas coisas e muitos problemas para serem resolvidos. A cocheira aqui é do comodatário e os empregados também são deles, comodatários, ou dos treinadores. O JCSP não tem nada a ver com estas relações e, além disso, aqui nós cobramos aluguel dos boxes há cinco anos.”

As ponderações que Eduardo utiliza nesse parágrafo, em nada se assemelham com as reivindicações da classe dos profissionais que estão vendo as cocheiras serem retomadas e seus comodatários/profissionais despejados sem nenhum plano de ocupação. Quanto aos proprietários, cabe dizer a Eduardo, que os mesmos se ressentem de ações objetivas que possam recuperar as vilas e não transformá-las num grande IPO em benefício do capitalismo.

Talvez Eduardo não tenha refletido que a falta de animais, e o conseqüente esvaziamento das cocheiras, não pode ser atribuído e tão pouco cobrado dos profissionais e comodatários. O Clube tem obrigação de prover a atividade com meios promocionais que possibilitem a renovação da atividade. A ineficácia, a inércia e o deserto de valores que emanam das atuais administrações, são a mola mestra do atual desastre institucional, que levam tribunas e cocheiras ao mais completo abandono.

“Quanto à greve, repito, ela é ridícula. Como a nossa atividade é uma atividade que dá prejuízo, querendo ou não, esta é a primeira vez que vi fazerem greve para ajudar “patrão”. Afinal se não abrirmos, os JCs não têm despesa. Os únicos prejudicados são os profissionais e proprietários.”

Eduardo deveria ter percebido que não existe qualquer “greve” em curso, posto que nenhum profissional é empregado do clube. O que progride é um Protesto contra a quebra de compromisso com conseqüências desumanas, situação essa que Eduardo não pode medir porque não conhece os detalhes que envolvem esse “contrato”, portanto não existe “patrão” nenhum nessa história.

Ridículo mesmo é o presidente de um clube hípico como o de São Paulo vir ao público para afirmar que a paralisação das corridas é um bem que os profissionais fazem para com o clube, e que isso estaria “ajudando” aos clubes a não terem despesa.

Alguém precisa dizer ao ouvido de Eduardo que a paralisação das corridas é o maior prejuízo que um clube pode ter; a maior desmoralização que um mandato pode conseguir almejar; a maior prova de que o Rio de Janeiro está naufragado institucionalmente.

A “parceria” de Eduardo nessa “matéria paga”, com as infelizes colocações que faz a respeito de turfe, me dá a nítida sensação de que São Paulo padecerá de um mal ainda maior do que o Rio de Janeiro padece.

Não me surpreenderia também, a partir dessa intromissão desastrosa, que os jóqueis do Rio de Janeiro passem a exigir ao JCSP uma parcela sobre a venda de apostas que utiliza a imagem deles, tema que imagino vá ilustrar a próxima reunião dos profissionais, se bem conheço a “politização” da classe, e a determinação em defender os seus direitos.

Qualquer sociedade seja ela familiar institucional ou aquilo que seja, precisa cuidar dos seus idosos e doentes, enterrando com decência os seus mortos, caso contrário seria muito fácil. Rasgar as obrigações previdenciárias tornaria rica qualquer nação, mas isso não é possível.

O que precisa saber Eduardo é que será preciso arregaçar as mangas (sem nenhuma demagogia barata) e procurar alavancar a atividade com ações corretas, independente de falsos “profissionalismos”, para que se torne “glorioso” (como o passado) tanto o presente como o futuro do turfe brasileiro.

Luiz Fernando Dannemann
Sócio, criador e proprietário

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